"A tale of a broken city or a broken heart."
A história da minha cidade mostra quão doente nós estamos. Existe uma complacência geral, uma postura de deixar como está em não se importar e conviver com o cotidiano desta ferida.
Realmente é mais fácil se adaptar do que mudar, falo isto para mim mesmo, porque reclamo da forma como a cidade se apresenta, mas será que faço o suficiente para melhorá-la? Critico as vias emporcalhadas e esburacadas, mas será que só jogar o papel no lixo é suficiente? Critico os projetos mal feitos, mas será que os faria melhores? Espero pelo menos levantar uma discussão e procurar soluções para esses problemas, e discutir nosso urbano.
Uma das mazelas de minha cidade é a apresentação visual de suas ruas. A qualidade visual é muito pobre, vemos lojas com roupas penduradas sem o menor critério nas fachadas, avanços descontrolados das bancas sobre as calçadas, letreiros escritos com erros grosseiros de português, construções e reformas que não contribuem em nada para o embelezamento da cidade.
Me pergunto onde andam os fiscais da prefeitura que deveriam fiscalizar esse tipo de abuso ao código de obras, que com certeza reza sobre as posturas das lojas. Me pergunto por que não é corrigido o abuso logo no início. E porque não se cobra uma manutenção periódica dos prédios, com: pintura, conserto de detalhes arquitetônicos. Afinal uma cidade com pelo menos uma casca bonita, atrai mais visitantes que por conseqüência trazem mais divisas e melhoram a capacidade de seus proprietários de embelezarem ainda mais a cidade e assim sucessivamente numa espiral de melhoramentos. Mas o que vejo é o inverso.
Cito o exemplo da principal avenida da cidade de Vitória, a Av. Jerônimo Monteiro. Ao longo dela existe um sem número de agressões visuais e sonoras. Seus prédios escondidos por letreiros desproporcionais, encontram-se em total degradação. É possível ver prédios com vidros quebrados, rebocos caindo, janelas fechadas com tijolos. Até mesmo edificações que são tombadas pelo poder público em estado de penúria.
Muitas vezes passo por ali e me pergunto quem é o dono de uma casa fechada que sobe a encosta do morro ao lado do prédio do SEBRAE, que acumula mato e lixo, e provavelmente abriga algum(ns) morador(es) clandestino(s). Não teria a sociedade uma proposta de recuperação do imóvel? Até mesmo uma solução absurda como uma Casa dos Horrores seria válida, pelo menos teríamos um uso.
Outro exemplo, a antiga Assembléia Legislativa na Cidade Alta, hoje é abrigo involuntário de moradores de rua e drogados.
Isso é só uns poucos pontos que falo para não ficar enfadonha a conversa, mas que servem de ponto de partida para minhas reflexões.
Até o próximo reflexo… mesmo porque nossa imagem reflete mesmo que não queiramos.
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